Revista Terapia Holística

O Paradigma Holístico Aplicado À Iridologia

Mulher na Íris - Modelo: Polly - Arte Digital: Henrique Vieira Filho Na abordagem Holística, inexiste separação corpo-alma-Universo, que formam um contínuo inter-relacionado. Assim sendo, a cada região somática, corresponde uma tendência psíquica, emocional e a um aprendizado individual e transcendente (que extrapola a personalidade, integrando ao coletivo).

No século 19 e início do 20, muitas das técnicas terapêuticas, temporariamente, perderam essa visão ampla, passando a focar apenas no físico, por influência das correntes cientificistas cartesianas. Nas recentes décadas de 60 e 70, com o movimento “hippie”, a “Revolução Aquariana”, a conscientização ecológica e a retomada do Paradigma Holístico, as linhas terapêuticas vem reconquistando suas abordagens iniciais, integrais e sistêmicas.

A Acupuntura e a Reflexoterapia vem sendo revisitada pela Holopuntura (dentre outras escolas que igualmente buscam o resgate da visão milenar, que sempre foi Holística...), que trouxe de volta as correlações emocionais aos meridianos e às zonas reflexas. Na verdade, nem se tratou de criar novos conceitos, nem de descobertas, mas tão somente de re-aplicar as correlações sóciopsicossomáticas já estabelecidas faz milhares de anos, nas tradições terapêuticas chinesas e indianas. Os Cinco Movimentos Chineses e a Anatomia Energética dos Chacras são “mapeamentos” já consagrados, que nos possibilitam realizar uma imediata relação entre, por exemplo, regiões corpóreas e suas implicações emocionais e de aprendizados de vida.

Nesse contexto, era natural que a Iridologia, ao evoluir do padrão meramente somático, para o Holístico, seguisse o mesmo caminho prático acima descrito. Porém, não foi isso que ocorreu. Nos deparamos com autores que buscaram desenvolver, “do zero”, simplesmente ignorando que a sabedoria milenar já havia fornecido as respostas. Algumas destas novas “escolas” iridológicas, apesar de muito recentes e controvertidas, contam com inúmeros partidários, como, por exemplos, o Método Rayid (avalia personalidade, comportamento, relacionamentos e lições de vida) e o Sistema Cronorischio (este almeja até mesmo prever uma linha do tempo de acontecimentos, por meio da análise da íris...). Com toda sinceridade, ainda é cedo para uma conclusão quanto ao grau de eficácia de cada uma delas, sendo esta tarefa igualmente um dos objetivos do Projeto Iridologia, coordenado pelo SINTE – SINDICATO DOS TERAPEUTAS.

Neste presente trabalho, nos concentraremos no Método Rayid (de “Raio” como direção típica dos sinais iridológicos e “Id”, denominação psicanalítica ao nosso inconsciente individual), desenvolvido por Denny Jonhson, nos anos 70, sendo sintetizada na obra “What The Eye Reveals”, de 1984 e publicado no Brasil, em 1992, pela Editora Ground, como “O Olho Revela: Uma Introdução ao método Rayid de interpretação da íris”, não sendo mais re-editado atualmente.

Jonhson possui uma perspectiva um tanto incomum quanto à hereditariedade e a influência dos pais no desenvolvimento da personalidade, sempre buscando associá-las a determinados traços na íris. Também esmerou-se em classificar os indivídos em quatro biotipos básicos (Jóia, Flor, Corrente e Agitador), identificáveis de acordo com a predominância de formatos dos sinais iridológicos (manchas, pétalas, raios e mesclados) e, munidos destas informações, os iridólogos já teriam uma tabela de correlações comportamentais associadas a cada uma das quatro estruturas referidas.

Uma das características mais curiosas no trabalho de Denny Jonhson foi o desenvolvimento de uma teoria de “compatibilidade” entre pessoas, tanto no sentido de casais, quanto para as demais formas de relacionamentos, baseando-se em traços de personalidade e comportamento detectados pelos sinais iridológicos, numa proposta muito assemelhada à sinastria feita pela Astrologia. Porém, o Projeto Iridologia não preveu a necessidade de coletar imagens da íris de enamorados ou outras formas de relacionamento, o que implica que a análise do grau de acerto desta particularidade do Método Rayid permanecerá em aberto para esta etapa, até que materiais suficientes sejam obtidos para avaliação.

Complementando esta análise básica, a fim de melhor traçar o perfil emocional de cada Cliente, o Método Rayid identifica introversão ou extroversão e predominância do hemisfério cerebral esquerdo ou direito, de acordo com sinais circulares e com a maior ou menor incidência de sinais sendo no olho destro ou canhoto.

No tópico acima, bem como na caracterização dos biotipos, podemos constatar uma grande incompatibilidade com a interpretação “clássica” da Iridologia Somática (como a de Bernard Jensen e derivações...), sintetizadas no quadro a seguir:

 


Iridologia Somática
Iridologia Psicossocial (Rayid)
Somatizações X Jóia
Manchas Psóricas: são áreas pequenas de coloração densa, de formato variado, quanto menor e mais escura, maior o grau de somatização e/ou intoxicação; a primeira hipótese geralmente se apresenta em formas de "pétala", "balões" enegrecidos, enquanto que a segunda, "pontos" e/ou círculos pequenos. Tipo Mental - Jóia: pontos de cor na íris indicam pessoa intelectualizada, analítica e controladora, com boa capacidade de comunicação verbal.
Lesões Asas de Borboleta X Tipo Emocional Flor
Lesões "Asas de Borboleta": marcas nas fibras da íris que se assemelham a pétalas, indicam constituição frágil, com tendência a descarregar toxinas nos órgãos cobertos pelas "asas".
Tipo Emocional - Flor: aberturas arredondadas nas fibras de íris identificam uma pessoa emotiva, orientada pelo "coração", com boas habilidades sociais, expressiva e de boa comunicação visual e grande criatividade.
Raios de Dor X Tipo Cinestésico
Raios Solares X Tipo Cinestésico
"Raios": quando escuros atravessando a região intestinal, implicam em zonas com putrefações, atingindo também os órgãos para os quais "apontam" e/ou "atravessam"; já os "raios" claros, também no sentido radial, mas iniciando fora da zona dos intestinos, indicam estados dolorosos nas regiões reflexas correspondentes.
Tipo Cinestésico - Corrente (ou Arroio): fios de cor nas fibras da íris indicam indivíduos que compreendem a vida por meio de experiências sensoriais, comunicando-se pelo contato físico e movimento.
Asas de borboleta + Manchas X Tipo Extremista
Manchas Psóricas: são áreas pequenas de coloração densa, de formato variado, quanto menor e mais escura, maior o grau de somatização e/ou intoxicação; a primeira hipótese geralmente se apresenta em formas de "pétala", "balões" enegrecidos, enquanto que a segunda, "pontos" e/ou círculos pequenos.

Lesões "Asas de Borboleta": marcas nas fibras da íris que se assemelham a pétalas, indicam constituição frágil, com tendência a descarregar toxinas nos órgãos cobertos pelas "asas".
Tipo Extremista - Agitador (também conhecido como Mescla ou Ponta de Lança): mescla sinais do tipo Flor ("petalas", "asas de borboleta"...) e do Jóia (pontos de cor), que indicam uma personalidade extremista, inovadora e aventureira, muitas vezes oscilando radicalmente entre sucessos e fracassos sucessivos.
Rosario Linfático X Anel da Harmonia Rosário Linfático: pontos e/ou manchas esbranquiçadas, tipo "contas de um rosário", em sequência, formando arcos. Indicam dificuldade na circulação linfática, congestão de órgãos e tecidos.
Anel da Harmonia: sinais de ideais elevados, voltados ao social e ao ecológico.
Coroa Sistema Nervoso Autônomo x Extrovertido
Coroa Simpática e Banda (ou Trança...) do Sistema Nervoso: O primeiro "círculo" concêntrico que ocorre após a margem pupilar reflete o sistema digestivo. Em sua periferia, encontra-se a zona reflexa do sistema nervoso autônomo.

Teoricamente, perante a existência utópica de um quadro de saúde otimizado, a coroa apresentaria pouca distinção de cor em relação ao restante da íris e a "desenhar" um círculo uniforme.

Na prática, o que se supõe é que, se a região for mais clara que o restante da íris, implica em hiperatividade digestiva, com possibilidade de acidez excessiva e intestinos com tendência a "soltos". Já se o contraste da região resultar em uma cor mais escura que o restante, a hipótese é oposta: digestão lenta e intestinos preguiçosos.

Caso o "desenho" da borda desta "coroa" (como que um "fio" em relevo, que acompanha a zona reflexa do sistema nervoso, denominada por alguns autores como "gola neurovegetativa" e que em anatomia denomina-se "colarete babado")... tenda a se contrair ou se expandir sobre uma determinada região, aponta uma desarmonia na zona reflexa correspondente. Para algumas correntes iridológicas, a desigualdade do "desenho" formado sugere zonas espasmódicas nos intestinos e hipersensibilidade do sistema nervoso, bem como se o "colarete" for de coloração vívida, que haveria hipertavidade nervosa, até mesmo, com dores esparsas.


Comportamento Extrovertido e "Anel de Expressão": a faixa circundante à pupila é quanto mais ampla, quanto maior a extroversão do indivíduo; dourado e marrom são ausentes como cor da região e comumente se manifesta o "Anel de Expressão", que é um filamento colorido como que desenhando um contorno por toda a "coroa".
Introvertido X Parte Digestiva
Coroa Simpática e Banda (ou Trança...) do Sistema Nervoso: O primeiro "círculo" concêntrico que ocorre após a margem pupilar reflete o sistema digestivo. Em sua periferia, encontra-se a zona reflexa do sistema nervoso autônomo.

A coloração amarelada, marrom ou avermelhada próxima à pupila, levanta a hipótese de má absorção dos alimentos.

Alguns autores interpretam a pouca ou nenhuma distinção de um "desenho" do colarete babado ("borda" em relevo, que acompanha a zona reflexa do sistema nervoso), como uma deficiência nervosa em geral, ou especificamente ao órgão reflexo da região em que o colarete se torna apagado.
Comportamento Introvertido: a faixa circundante à pupila é relativamente concentrada, de coloração dourada/amarelada ou marrom e não se manifesta o "Anel de Expressão".
Anéis de Tensão X Anel de Realização
Anéis de Tensão: Arcos e/ou anéis concêntricos que indicam ansiedade, "stress", tensões que tendem a somatizar.
Anéis de Realização: sinalizam pessoas que se mantém atarefadas além dos seus limites, ansiosas, sempre em busca de realizações.
Arco da Pele - Anel da Realização
Arcos na periferia da íris: quando a cor for esbranquiçada e opaca, pode indicar problemas arteriais, tais como obstruções, desequilíbrio de pressão e acúmulo de sais. Outrossim, se o "anel" for de um branco transparente, "brilhoso", a dificuldade circulatória tende a ser nas extremidades (membros frios...). Se, ao invés de um "anel" que tende a formar um círculo completo, este sinal esbranquiçado formar um semicírculo da região superior da iris, teremos o chamando "arco senil", indicando que sintomas de envelhecimento estão se instalando. Anel da Determinação: uma faixa branca na periferia da íris indica uma pessoa determinada, com opiniões rígidas e grande capacidade de atingir seus objetivos.
Anel da Pele X Anel da Objetividade
Anel da Pele: quando o arco na periferia da íris apresenta-se escurecido, implicará em dificuldade de eliminação de toxinas, que já se acumulam no indivíduo; se o tom for azulado, pressupõe-se pouca oxigenação do sangue, comumente devido à pouca atividade física. Anel da Objetividade: um anel azulado ou escuro na periferia indicam pessoas com necessidade clara de objetivos; quando encontram sua missão de vida, são obstinadas, capazes de tudo.
Hemisfério Direito - Predominante
Sinais predominantes mais num olho, do que no outro: a maior parte dos autores não considera relevante, sendo mais importante determinar as zonas reflexas em que os sinais se apresentam.
Predominância do Hemisfério Direito: maior concentração de traços e sinais na íris esquerda indica a predominância do lado direito do cérebro, com tendências de serem pessoas mais informais e criativas, porém, com dificuldade de concentração e de senso prático.
Hemisfério Esquerdo Predominante
Sinais predominantes mais num olho, do que no outro: a maior parte dos autores não considera relevante, sendo mais importante determinar as zonas reflexas em que os sinais se apresentam. Predominância do Hemisfério Esquerdo: maior concentração de traços e sinais na íris direita indica a predominância do lado esquerdo do cérebro, com tendências de serem pessoas introspectivas, objetivas, práticas e organizadas.