Encerramento do Projeto Iridologia

Iridologia

Iris Vitruviana - Modelo: Luana - Arte Digital: Henrique Vieira FilhoO Projeto Iridologia teve seu início em 2009,  uma iniciativa do SINTE, com o objetivo de coletar imagens da iris (sempre com o mesmo tipo de equipamento e condições...) de 50 a 100 voluntários, os quais, permanecendo anônimos, tiveram as fotos analisadas por PROFISSIONAIS (ou seja, Iridólogos compromissados com CRT - Carteira de Terapeuta Holístico Credenciado) das mais variadas correntes e escolas iridológicas. 

As análises foram confrontadas com o quadro real de cada voluntário, resultando em informações estatísticas de grau de acerto e/ou erro para cada "escola" de Iridologia e para a técnica em si, como um todo.
 
Destes estudos e pesquisas, serão publicados tanto o livro Projeto Iridologia, quanto a nova NTSV - Norma Técnica Setorial Voluntária específica para a Iridologia.

Agora, em 2013, consideramos o Projeto concluído, sendo que este artigo adiantará algumas das conclusões destes estudos.

 

Projeto Iridologia 

Missão: adequar a Iridologia à legislação e mercados brasileiros, proporcionar educação continuada e aperfeiçoamento profissional técnico e ético à Iridologia dentro da abordagem Holística, desenvolvendo cursos e materiais didáticos adequados às NTSV - Normas Técnicas Setoriais Voluntárias da Terapia Holística e orientar ao público que deseje a indicação de profissionais, cursos e equipamentos, compromissados contratualmente com os padrões éticos e técnicos desenvolvidos pelo SINTE - SINDICATO DOS TERAPEUTAS.

Visão: conhecimento acessível a todos

Valores: oportunidades para novos talentos, desenvolver e identificar artigos e materiais correlatos de elevado nível ético e qualitativo como fontes Certificadas de informação e aprendizado.

Projeto Iridologia é um Empreendimento Sócio-Cultural sem fins lucrativos, nascido do investimento social de organizações parceiras, as quais propiciaram capital social (conjunto de Valores tais como honestidade, solidariedade, capacidade de união e perseverança, abordagem holística e ecológica) e humano (entendido como o conjunto de conhecimentos e habilidades dos indivíduos), além de estrutural (cessão de instalações e equipamentos).


Estamos diante de um grande desafio: viabilizar a Iridologia, perante a legislação brasileira e o mercado de trabalho.

Diferentemente da grande maioria das técnicas que abraçamos, que possuem origem milenar e nasceram das tradições sacerdotais, a análise da iris é muito recente e teve sua origem nas mãos de médicos e, como tal, foi fortemente influenciada pela limitada dicotomia "saúde e doença". 

Considerando que a legislação monopoliza o diagnóstico e tratamento de "doenças" para a classe médica, urge que nós, Terapeutas Holísticos, direcionemos a técnica à sua verdadeira vocação: a de uma Reflexologia, tal qual o são a Auriculoterapia, a Terapia Podal (reflexoterapia pelos pés), a Quiroterapia (reflexoterapia pelos mãos), para citar as mais conhecidas.

Do ponto de vista econômico, também é mais do que necessária a revisão da Iridologia, pois, sua inclinação inicial, que era a de descobrir carências e/ou excessos suplementares e predisposições a certas enfermidades, estados mórbidos orgânicos, etc, etc, nos dias atuais, é muito menos custoso ao Cliente ir a um médico e solicitar exames laboratoriais (sangue, urina, fezes...), que via de regra são despesas cobertas pelo próprio governo e por planos de saúde, do que pagar caro por uma consulta junto ao Iridólogo...

Ou seja, para sobreviver e continuar sendo útil, a Iridologia deve ser redirecionada para aquilo que médicos e laboratórios desdenham: a abordagem energética, a biotipologia, o emocional...

Outro fator a contornarmos é o superfaturamento de equipamentos para Iridologia; deve-se analisar os prós e contras dos que estão disponíveis no mercado. 

O mesmo ocorre com softwares e "apostilas", os quais somariam mais alguns milhares de reais em despesas para os consultórios...

No decorrer do Projeto Iridologia, foram publicadas inúmeras traduções e versões de literaturas e mapas mais utilizados, bem como lançou-se a idéia de desenvolver alternativas para que aos programas de computador para Iridologia, desenvolvendo recursos online que os substituam, ao menos, parcialmente.

Constatamos alguns iridólogos cobrando cerca de dois salários mínimos para disponibilizar simples versões online de alguns artigos de autores estrangeiros. O Projeto Iridologia coibiu este tipo de abuso, traduzindo estes materiais e disponibilizando a todos os filiados ao SINTE - SINDICATO DOS TERAPEUTAS.

Problema semelhante ocorria quanto aos Mapas Iridológicos: caros, desatualizados e nem ao menos em português... Neste ítem, já disponibilizamos versões traduzidas e ATUALIZADAS dos mapas de Bernard Jensen, que é o Iridólogo mais festejado aqui no Brasil.

Um dos maiores problemas da Iridologia no Brasil tem sido trabalharem com o óbvio conflito de interesses entre atender e comercializar os produtos que recomendam aos Clientes. Além de ser antiético ("empurroterapia"...), é interpretado pela maioria dos juristas como ILEGAL.

Mais grave ainda são os que FABRICAM os produtos, via de regra sem sequer terem empresas legalmente constituídas e responsáveis técnicos (médicos, farmacêuticos, químicos...) e sem registro na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), caracterizando crime contra a saúde pública, o qual, por sinal, classifica-se como hediondo, o que implica em que o acusado permanece PRESO durante todo o processo....

Outro fator que desmoraliza é o uso de títulos e formações inexistentes, tais como "doutor", "médico naturista", "medicina biomolecular" e similares, caracterizando falsidade ideológica e crime de exercício ilegal de medicina.

Analisar "doenças" via iridologia, então, tem sido, historicamente, uma das principais causas de PRISÕES em nossa Profissão.

Ou seja, para exercer tanto Iridologia, quanto qualquer outra técnica em nossa profissão, temos que estar sempre atentos em adequar nossa nomenclatura e postura profissional às normas e legislação brasileiras.

Durante o evento Holística 2009, o SINTE - Sindicato dos Terapeutas coletou imagens dos olhos de cerca de 50 voluntários, que serviram de base de estudos no Projeto Iridologia.

Os participantes analisarão caso a caso, sem ter acesso à identidade, nem sequer informações anônimas, como idade ou gênero, tecendo hipóteses unicamente pelo que conseguirem extrair de cada iris.

O Projeto Iridologia completou quatro anos, em setembro. A previsão inicial era de que seria finalizado em um ano, porém, na prática, exigiu uma demanda por prazos maiores.

Seis Grupos de Estudos participaram deste iniciativa, que pretendeu determinar os novos rumos da Iridologia, o que era e continua urgente, já que, nos últimos anos, trata-se da uma das técnicas que mais gera prisões e processos penais em nossa Profissão, superando até mesmo a Acupuntura e a Fitoterapia.

Na verdade, o SINTE - SINDICATO DOS TERAPEUTAS conseguiu reverter as perseguições que eram comuns à Acupuntura, com ações somadas na esfere judicial, bem como na mudança de modo de trabalhar, de forma prevenir e evitar os dissabores. Nossos materiais didáticos e cursos de Holopunturasão resultantes de toda este trabalho, que resgata as origens da Acupuntura, ao mesmo tempo que pratica o DIFERENCIAL em relação à área médica, valorizando nossos profissionais e ampliando a segurança em relação à possibilidade de enquadramento como exercício ilegal de profissão.

A mesma iniciativa foi aplicada à Fitoterapia, na qual o SINTE estimula, difunde e incentiva a prática totalmente independente do conceito de “doenças”, além de valorar a utilização de vegetais que estão longe de serem enquadrados como “medicamentos”, o que implicaria na necessidade de “receita médica”.

Tais caminhos se mostraram eficientes a tal ponto de praticamente “zerar” as ocorrências processuais. Claro, nos referimos aos FILIADOS ao SINTE e que sigam as Orientações e Pareceres decorrentes das NTSV - Normas Técnicas Setoriais Voluntárias da Terapia Holística.

Tamanho sucesso nestas empreitadas, estimularam a propor o mesmo procedimento à IRIDOLOGIA, cujo método de trabalho ensinado na maioria das escolas, resulta em grande quantidade de processos, especialmente, acusações de “exercício ilegal de medicina”. Os fatores que possibilitam tais ações penais, de certa forma, eram os mesmos das demais técnicas: a vinculação com “DOENÇAS” e a VENDAde produtos, “casada” ao atendimento de consultório (“empurroterapia”).

Assim sendo, em 2009, dá-se início ao Projeto Iridologia, sendo convidadas a participar, as escolas da técnica, os fabricantes dos equipamentos, os profissionais expoentes e todos os demais colegas.

Durante o congresso Holística daquele ano, são coletadas dezenas de imagens de íris, que servirão de base para uma análise comparativa de cada “corrente” iridológica, cujos dados coletados seriam comparados com o quadro real de cada participante, sendo que o histórico e identificação permanecem ocultos dos iridólogos.

Eis que surgem os primeiros obstáculos, até certo ponto, compreensíveis. Afinal, iniciativas internacionais que objetivavam testar a eficácia da Iridologia, culminaram com a ridicularização da técnica e de seus participantes, inclusive, o consagrado Bernard Jensen.

Outrossim, eram eventos de MÉDICOS para MÉDICOS, e testaram a Iridologia para análise de DOENÇAS e de carências e/ou excessos minerais e vitamínicos, em comparação a exames LABORATORIAIS, concluindo além de pela ineficácia da Iridologia, como também demonstraram ampla divergência nas conclusões dos próprios iridólogos, quando comparadas entre si.

O SINTE fez questão de tornar claro que nossa busca jamais seria testar a técnica em “doenças”, nem em detectar “carências de elementos”. Até porque caracterizaria exercício ilegal de medicina, além de sequer existir “mercado” para tal, já que seria muito mais simples e econômico aos Clientes potenciais para tais informações, procurar um médico e fazer os exames laboratoriais respectivos.

De boa fé e focado na “sobrevivência” e futuro da técnica, o Projeto Iridologia objetiva encontrar e definir NOVOS rumos, focando na vocação milenar dos olhos como “janela para a alma”, definindo uma Reflexologia que nos apresente informações DIFERENCIAIS da dos exames laboratoriais, ou seja, aspectos “energéticos”, emocionais e de personalidade.

Apesar dessa postura otimista e positiva, fato é que não houve adesão de “monstros sagrados” da Iridologia, cremos que por temor de passar pelos mesmos constrangimentos que o ídolo maior, Bernard Jensen, passou ao ter suas técnicas testadas sob metodologia laboratorial. Ou, numa hipótese pior, acreditam que seus métodos sejam infalíveis e o orgulho (no mal sentido) crie impedimentos a que possam ser revistos, ampliados e melhorados.

Um aspecto que causou estranhamento foi a ausência e estudos e materiais PÚBLICOS sobre as diversas correntes iridológicas, ao contrário do que ocorreu nos projetos envolvendo Acupuntura e Fitoterapia, que possuem abundante material para análise, tando a valores moderados, quanto de acesso gratuito, inclusive no Projeto Holopédia.

Boa parte dos livros, considerados essenciais pelos próprios iridólogos, encontram-se esgotados e sem interesse de serem re-editados. Os mapas mais difundidos, como o do Método Bernard Jensen, disponibilizados no Brasil, encontram-se desatualizados em relação aos novos estudos do autor, enquanto que outros sequer existem nos originais, sendo dispersos em partes a cada página de livros ainda não existentes em português.

As vertentes iridológicas atualmente em “moda” nas escolas brasileiras, sequer tiveram seus livros publicados em nosso país, sendo o conteúdo parcialmente traduzidos em simples apostilas, disponibilizadas apenas em versões digitais (arquivos pdf) com senha, vendidas a valores que beiram os R$ 1.000,00. Tal quadro leva a cogitar hipóteses pejorativas, como amadorismo, desinteresse, ganância e até mesmo, de que não existe de fato, grandes pesquisas ou estudos sobre a técnica, já que não se encontram disponíveis ao grande público.

Para superar estas dificuldades iniciais, o SINTE - SINDICATO DOS TERAPEUTAS desenvolveu e disponibilizou mapeamentos, bem como traduções e sínteses das mais diversas correntes iridológicas (a mais recente é a síntese da técnica Cronorischio...), disponibilizando a “custo zero”, via internet e a valor de custeio, em versão impressas, ampliando a oportunidade de conhecimento aos interessados.

No campo de acessórios, o mercado brasileiro depara com custos elevados para aquisição de softwares e de equipamentos para captura de imagens da iris. Estimulamos a concorrência entre os fabricantes, o que gerou a redução de custo das versões mais simples da lente adaptada a câmeras fotográficas digitais, bem como estimulamos a criação de melhorias na questão da iluminação, que causa desconforto aos Clientes, além de encobrir partes da imagem obtida, com seu brilho.

Em primeira análise, visto que são acessórios opcionais (sua ausência não causa impedimento à prática iridológica...), a aquisição de softwares e equipamentos de custo mais elevado, como o microscópio para iridologia, são muito mais um “luxo” do que uma “necessidade”. Exceto, talvez, a câmera fotográfica, por criar a possibilidade de acompanhamento da evolução do quadro, a médio e longo prazo.

O SINTE pretende desenvolver e disponibilizar recursos de software aos seus associados que possam facilitar o exercício da Iridologia, além de criar e estimular “concorrência” e com isso, diminuir o valor final que estão atualmente cobrando por este tipo de produto.

Em breve relato, ainda que doa, a verdade deve ser pública: após quatro anos, com seis grupos de estudos, analisando cerca de cinquenta imagens de pares de iris, o Projeto Iridologia chega ao mesmo quadro que as pesquisas internacionais já realizadas anteriormente, ou seja, não foram encontrados indicadores de que os sinais iridológicos sejam passíveis de uma interpretação terapêutica.
 
Via de regra, perante as mesmas imagens, cada participante apresentou hipóteses diferentes, inclusive dos demais colegas da mesma vertente iridológica. Se comparadas entre escolas de Iridologia distintas, então, menos coincidências interpretativas ocorreram. A linha iridológica oriunda de Bernard Jensen apresentou um leve destaque, sendo a escola que obteve maior paridade interpretativa entre as Iridólogos participantes.
 
O que se constatou é que os bons resultados obtidos em CONSULTÓRIOS não são passíveis de repetição em condições "laboratoriais", ou seja, sem a presença do Cliente perante o Profissional. A simples e "fria" imagem computadorizada da iris não é suficiente para que o Terapeuta Holístico desempenhe o seu papel a contento. 
 
Uma hipótese razoável é a de que, perante a presença física do Cliente, fatores extras conduzam à maior eficiência da interpretação Iridológica.
 
A leitura corporal, a conversação com a pessoa atendida, a coleta de dados para a FC - Ficha do Cliente, enfim, uma infidável lista de variáveis, quer o Profissional esteja ou não consciente de que já está pré-analisando, induz ao Iridólogo a interpretar os sinais da íris de forma muito mais eficiente e específica. Tal grau de otimização de resultados praticamente desaparece quando se analisa, simplesmente, a imagem computadorizada, SEM que se tenha contato com o Cliente.
 
O que podemos antever é que uma NTSV - Norma Técnica Setorial Voluntária específica para Iridologia deve exigir a presença física do Cliente, bem como que o Profissional tenha em seu rol de técnicas, outras formas de avaliação / análise distintas da Iridologia (por exemplo, Pulsologia, testes musculares, etc...), para que se tenha maior oportunidade de acerto. 
 
Enfim, o desafio é maior do que todos poderiam supor, mas temos certeza de que com a dedicação e a coloboração e participação ativa de todos os colegas, poderemos “salvar” a Iridologia, que é a técnica “caçula” e “filha pródiga” que busca retornar à sua vocação original, que é a Terapia Holística.

 

Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho - Terapeuta Holístico - CRT 21001, é autor de diversos livros da profissão, ministra aulas na CEATH - Comunidade de Estudos Avançados em Terapia Holística.

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