Aprendendo Com A Cavalinha

Fitoterapia

Foto e Arte Digital: Henrique Vieira FilhoSimplesmente dizer que o fitoterápico Cavalinha (Equisetum arvense) possui grande quantidade de sílica, equisetonina e uma vasta gama de minerais, com toda a sinceridade, não satisfaz meu lado racional e, menos ainda, ao meu psiquismo.

Prefiro explicar os poderes desta planta, como sempre fizeram os nossos ancestrais, ou seja, por suas lendas, as histórias contadas geração após geração e as incríveis "coincidências" com suas aplicações terapêuticas.
 

O nome científico da Cavalinha deriva do latim, de equus (cavalo) e sēta,ae (seda, crina de cavalo, seta).Etimologicamente incorreto, mas sincronisticamente certos, alguns autores somam equus (cavalo) e “seta”, do latim sagitta (flecha, seta), que igualmente lembra a figura mitológica do sagitário.



Na língua inglesa, o nome tem a mesma linha significativa: Horsetail (rabo de cavalo).

 O rabo possui simbolismo fálico, tal qual a serpente. Por sinal, a Cavalinha, em alguns regiões, é conhecida como grama-da-cobra, pois reza a tradição que os aldeões faziam flautas com suas hastes, cujo som afugentava os ofídeos.

Muitas tribos, de culturas diversas, ornavam seus estandartes com rabos de cavalo ou de búfalo, por considerarem que toda a FORÇA do animal igualmente se encontra na cauda.

Ou seja, pela "sincronicidade" (coincidências significativas...) com o nome, podemos associar a Cavalinha com força, sexualidade, virilidade, fertilidade, sendo estes tópicos algumas das aplicações terapêuticas tradicionais desta planta.

Vamos extrapolar ainda mais a imaginação e "emprestar" características de "personalidade" a este vegetal, focando em suas singularidades.

A Cavalinha é considerada um "fóssil vivo", pois continua semelhante ao que já era faz milhões de anos; chegou a ocupar todas as regiões do planeta, uma "força" ancestral, dos primórdios dos tempos.

Para a Terapia Tradicional Chinesa, tais características se classificam no Movimento Água (a Cavalinha é considerada seu equilibrante, tanto Yin, quanto Yang...), cuja energia é distribuída via meridianos dos Rins e da Bexiga, atuando nos líquidos corporais, limpeza do organismo, bem como cabelos, audição, equilíbrio, ossatura, psiquismo profundo (medos, força, inconsciente...), dentre muitas outras questões.

O Equiseto tem preferência por terras úmidas e alagadas; suas raízes tendem a se aprofundar até mais do que suas partes visíveis, semelhante ao Movimento Água chinês, que tende às profundezas da alma.

Seu bem lidar com as águas sincroniza com os efeitos drenantes de seu chá, assim como suas hastes ocas nos lembra as vias urinárias, ao mesmo tempo em que são rígidas, somando-se umas às outras, tal qual ocorre com os ossos, formando uma "coluna" longilínea e ereta, que coincide com seus ótimos efeitos sobre a mineralização na ossatura humana e sobre a firmeza e cicatrização da pele.

Sua tendência a agrupar-se em várias hastes sequências foi o que ativou a imaginação das mais variadas culturas milenares a lhe nominarem como "crina de cavalo", "rabo de cavalo", "rabo de raposa", enfim, visualizavam uma longa e bela cabeleira, transmitindo a "dica" do quanto seus chás podem auxiliar à saúde capilar de quem os consumir.

Enfim, este artigo é só mais um exemplo a justificar a admiração que devemos nutrir por nossos antepassados, pois, sem nenhuma terminologia "científica", conseguem transmitir, até os dias de hoje, o quanto conheciam sobre o poder das ervas.

  Henrique Vieira Filho - Terapeuta Holístico - CRT 21001Henrique Vieira Filho - Terapeuta Holístico - CRT 21001, é autor de diversos livros da profissão, ministra aulas na CEATH - Comunidade de Estudos Avançados em Terapia Holística.  contato@sinte.com.br (11) 3171-1913

 
 

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