Acupuntura, Feng Shui e I Ching: Um Só Fundamento

Acupuntura

Céu Primordial - Arte Digital: Henrique Vieira Filho - Modelo: Rilda

 

Uma das vantagens da Terapia Holística é a capacidade de perceber que técnicas aparentemente distintas possuem uma mesma origem comum e podem ser aprendidas e praticadas mediante uma mesma teoria unificada. Este é o caso, por exemplo, da Terapia Tradicional Chinesa (acupuntura, fitoterapia, terapia corporal, dentre outras...), do I Ching e do Feng Shui.

 

 

Sempre busquei uma Teoria Unificada que sirva de fundamento para o máximo possível de técnicas. Assim tenho feito, por exemplo, com o mapeamento de Os Cinco Movimentos Chineses, que serve de parâmetro para a Holopuntura (acupuntura, auriculoterapia, reflexoterapia e terapia corporal, revisitadas...), quanto a Fitoterapia, Aromaterapia e Cromoterapia.


Outrossim, existe uma linha de raciocínio ainda mais ampla e antiga, que engloba e amplia Os Cinco Movimentos, que é justamente a que originou o I Ching (leia os artigos: I Ching - Uma Antiga/Nova Linguagem Ao Seu Alcance e I Ching E Jung). O ponto de partida é a "linguagem" Yang / Yin (semelhante ao código binário que os modernos computadores utilizam para compor textos, imagens, vídeos, sons: zero / um ...), cuja combinação e/ou alternância classificam quadros energéticos na Acupuntura, milenarmente grafados como traço contínuo (Yang) e traço interrompido (Yin). Atuando como se fossem "letras" (porém, muitas mais do que isso, já que são símbolos a representar idéias...), se sobrepõem (lidas de baixo para cima...), compondo "palavras" e "frases", sendo as formas mais conhecidas, os Trigramas (três linhas/traços sobrepostos...) e os Hexagramas (6 linhas, melhor compreendidos como dois Trigramas sobrepostos...).

Neste artigo, abordaremos os Oito Trigramas, pois conhecendo estes, até mesmo a interpretação do I Ching se torna bem mais simples. O quadro a seguir apresenta as associações de idéias mais comuns relacionadas a cada um deles, inclusive, integrando ao mapeamento dos Cinco Movimentos:

Clique Aqui para abrir uma página com a versão AMPLIADA da figura a seguir:

Trigramas - Autoria: Henrique Vieira Filho

O que tenho observado é uma grande discrepância na literatura disponível, especialmente no referente ao Feng Shui. Algumas discordâncias são bem compreensíveis e até mesmo, versões complementares, que se somam. Outras, porém, estão mais para equívocos resultantes da visão parcial, focada em uma só técnica, ignorando as demais, que se bem estudadas, proporcionam uma visão bem mais abrangente e holística da questão.

Uma desta polêmicas são as divergências quanto às classificações de Trigramas como sendo Movimento Terra, o qual aparenta não se enquadrar nesta formatação, já que, por serem oito trigramas, a "divisão" seria inexata. Outrossim, a verdade é que o OBSERVADOR (ou seja, nós mesmos, nossos Clientes...) é que compõe esta quinta mutação, ficando seu posicionamento melhor visto nas representações gráficas dos famosos Baguás (como que "bússolas" que orientam o trabalho de harmonização de ambientes, no Feng Shui):

Baguá Céu Primordial - Arte Digital: Henrique Vieira Filho
Vários autores, de forma até relativamente compreensível, classificam como Terra os Trigramas relacionados ao fim de cada estação climática, período em que todas as estações tendem a se mesclar, o que é uma característica típica deste Movimento... A boa compreensão de como cada um dos Cinco Movimentos se relacionam entre si (Ciclo da Criação e de Destruição, direção/orientação da mutação) se traduz em imediata aplicação na interpretação, por exemplo, dos Hexagramas do I Ching, bastando extrapolar como será a interação dos dois Trigramas que o compõem, em conformidade com o Movimento em que se enquadram.

Alguns equívocos, comuns aos que iniciam nestas teorias, decorrem da ausência de uma NORMA padronizando a forma de apresentação dos símbolos. Inseridos em textos, não há dúvidas de que a leitura de cada linha/traço Yang ou Yin é no sentido de baixo para cima; porém, quanto apresentados em formato relativamente "circular", como nos octaedros (polígonos de 8 faces....) dos Baguás, cada escola adota uma forma de leitura distinta: ora, do centro para a periferia, ora de fora para dentro, gerando uma grande e desnecessária dificuldade de "leitura". Esta última opção é, creio, a mais comum na literatura do Feng Shui; porém, os nomes mais respeitados do mundo quanto se trata de cultura chinesa antiga (Marcel Granet...) e I Ching (Richard Wilhelm...) ilustram suas obras com os trigramas sendo grafados com a primeira linha iniciando ao centro do poliedro, e as demais, sucedendo em direção ao exterior e é justamente essa formatação que proponho que seja adotada como "oficial".

Um dos lapsos mais difundidos na aplicação dos Baguás é o esquecimento de que o mesmo é uma "bússola" e, como tal, deve ser alinhado aos pontos cardeais, para só assim, servir de guia para uma possível redistribuição do ambiente, harmonizando-o com as "energias" propícias de cada direção. Existe um estranhamento inicial pelo fato dos antigos utilizarem o Sul na parte superior, enquanto nós, ocidentais modernos, acostumamos a ter sempre o Norte nesta posição. Na verdade, é apenas uma questão de hábito, podendo simplesmente "virar" o gráfico, se isso facilitar a visualização e a prática, tomando-se o cuidado, é claro, de manter os Trigramas voltados aos seus respectivos pontos cardeais.

Já a polêmica maior se deve à adequação dos Baguás, em conformidade ao local estar no hemisfério Norte (como a China...) ou Sul (por exemplo, aqui no Brasil...), o que faz muito sentido. Sinceramente, a argumentação contrária me parece, à primeira vista, muito mais uma questão emocional do que fundamentada na teoria; é natural combater uma teoria que seja contrária ao que as escolas nos ensinaram e que já praticamos faz anos... É preciso superar o passionalismo e analisar a questão do ponto de vista extritamente técnico. Sei disso por experiência própria: elaborei o Mapa dos Cinco Movimentos Chineses mediante incontáveis horas de dedicação em programas gráficos de computação, em um período em que os equipamentos eram dezenas de vezes mais lentos do que os de agora... Utililizei-o por anos, até que na primeira turma da Comunidade de Estudos Avançados aqui do SINTE, uma discente chamada Simone Kobayashi questionou se não deveria adaptar o mapa, pelo fato de estarmos abaixo da linha do Equador. De início, rejeitei a idéia, pois implicaria que eu e mais um grande número de autores que eu admiro cometemos um belo equívoco, fora o trabalho de ter que refazer o mapeamento. No final, felizmente, a razão e o respeito à verdade falaram mais fundo e refiz o material, tendo como consolo o fato de ter aprendido mais sobre um tema que eu já considerava bem estudado.

Os que defendem ferozmente que não seja feita uma revisão nas teorias de Feng Shui aplicadas aqui no Brasil se apegam à explicação de que a China antiga se autoconsiderava o centro do mundo e que, por esta razão, a disposição dos Trigramas no Baguá estaria adequada a qualquer posição geográfica. Porém, uma análise técnica mais apurada discorda dessa linha de raciocínio. Já existe uma versão "imutável" do Baguá, que é nominada de Céu Primordial, que corresponde ao ponto de vista de um observador "celestial", ou seja, que estaria além de nosso planeta:

Baguá Céu Primordial e a Terra - Arte Digital: Henrique Vieira FilhoPor sua vez, a representação gráfica utilizada como "bússola" para harmonização de ambientes é a chamada Céu Posterior, que leva em consideração o ponto de vista do observador terreno e, como tal, sujeita-se a adaptação em conformidade com a localização estudada. As ilustrações a seguir baseiam-se no trabalho de Stela Vecchi, uma das pioneiras em utilizar Baguá diferenciados para cada hemisfério: Báguas - Hemisfério Sul e Norte - Arte Digital: Henrique Vieira Filho

O fundamental é mantermos nossas mentes abertas para constantes revisões em nossas teorias e formas de trabalhar. Até poucos anos atrás, as fontes de informações eram poucas e fragmentadas e a abordagem especializada era a regra, de onde resultou que cada técnica dedicou-se a uma pequena parte da milenar sabedoria chinesa, perdendo-se a visão do conjunto, favorecendo a que equívocos de interpretação ocorressem. Em pleno Século 21, graças às novas tecnologias e ao gerenciamento da inteligência coletiva promovido pelo  SINTE - Sindicato dos Terapeutas, estamos numa privilegiada situação de aplicarmos a abordagem Holística, integral, onde somando o conhecimento até então "separado" da Acupuntura, do I Ching e do Feng Shui, atingiremos uma síntese unificada, resultando em novas NTSV - Normas Técnicas Setoriais Voluntárias da Terapia Holística que nos guiarão para uma vida profissional cada vez mais plena e fundamentada.

 

Henrique Vieira FilhoHenrique Vieira Filho - Terapeuta Holístico - CRT 21001, é autor de diversos livros da profissão, ministra aulas na CEATH - Comunidade de Estudos Avançados em Terapia Holística.

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